sexta-feira, 11 de setembro de 2015

FRONT SIDE - ADONIS PERFEITO

LONGE DAS PISTAS E MAIS PERTO DA RUA.

Uma das figuras mais conhecidas do skate manauense. Considerado por várias vezes como o melhor skatista de Manaus e um dos mais influentes no cenário nacional, Adonis Lopes Perfeito fala um pouco da sua história com o carrinho.

 
Profile no site da Skate Salva, uma marca que deixou saudades. Idealizador de grande parte dos projetos da marca.


Querido por muitos, criticado por vários. Certo é que o cara faz parte da história do nosso skate e continua atuante em prol do esporte. Justiça seja feita. Muita coisa ele ajudou para nossos carrinhos deslizarem suaves em alguns picos da cidade.
Hoje, com um problema sério no joelho esquerdo e outros mais simples no direito (base goof), Adonis se recupera e sonha em manobrar por muitos anos, ainda. Não para menos, ele foi escolhido para dar início a série "frontside" que é uma sequencia de entrevistas com skatistas que fazem parte da linha de frente do skate baré. A intenção é dar voz e vez a todos que fazem parte dessa família que é rua pura.

GARRAFADAS E POGOBOL

Adonis Lopes Perefeito (Perfeito é sobrenome, mesmo), 37 anos, nascido na Benficente Portuguesa e criado em Manaus pelas ruas do Centro ganhou seu primeiro skate por acidente. "Minha mãe tinha prometido me dar um pogobol e como não conseguiu encontrar, comprou um skate. Isso foi em 87. Eu tinha 9 anos. De lá pra cá todos os momentos foram bons (com o skate)." Ainda criança, ele tinha asma e tomou muitas "garrafadas" dadas pela sua vó e não sabe afirmar se foram os remédios caseiros ou a intensidade  com que andava de skate que fez com que a doença "pegasse o beco".


O pogobol já foi um dos brinquedos mais cobiçados. Já pensou se ele tivesse ganhado um desses?


Um ano, foi o tempo que Adonis morou em São Paulo. Visitandondo sempre Brasília, pois sua família é dali,  teve contato com um amigo (Fubá) que lhe ajudou a proporcionar um dos momentos mais marcantes na sua vida de skatista. Contribuiu para filmagem do 411 Brasil (trip filmada em Brasília) onde teve uma manobra sua filmada pelos caras. Um dos melhores momentos da sua vida como skatista.


Front Side Ollie na extinta Pista Vertical da Vila Olímpica (1992). Foto: Arquivo pessoal.

Depois de um ano e quatro meses parado em função dos problemas constantes nos joelhos (especificamente no esquerdo) e uma cirurgia de pulmão, Adonis já arrisca manobras, mas sem puxar muito o ritmo.

Em 1998 nas ruas da Manaus pelas lentes de Erick Dammon. Fs nollie heel. 


O SKATISTA PROFISSIONAL E O VIDEOMAKER


Este ano, na função. Focado na manobra e clicado por Arnaldo Saldanha.

Taba: Sobre os campeonatos que você correu, conta aí um pouco dessas aventuras.
Adonis:
"Eu corri vários. Não lembro quantos.
"Ganhei apenas dois como amador. Não sei nem por que eu corria. Era um lance meio Maria vai com as outras. Eu não entendia o que deveria ser feito em um campeonato. Como profissional corri em São Paulo e em Curitiba, depois desencanei".
Taba: Como foi pra você se profissionalizar?

Adonis: "Cara, peguei muita pilha e fui. Preenchi os requisitos da Confederação Brasileira de Skate."
Taba: Podemos dizer que você é um skatista profissional?

Adonis: "Não mais. Me profissionalizei em 2003 e permaneci até 2005 e depois fui filmar."
O que você acha que é preciso para um skatista se profissionalizar?

Adonis: "Velho... carisma. Skate no pé, tá na pegada... sem forçar a barra. Se bem que o skate cru não tem isso. Profissionalismo é institucionalizar. Mesmo assim, dentro do skate se vê um caminho inverso. Pelo menos no skate norte-americano, que é de onde a gente suga tudo e onde o skate nasceu. Aqui no Brasil é meio lá e meio cá. Tem muitos profissionais que não são confederados. Tem shape com nome e tem o rolê. É tipo meio ambíguo isso, saca, tio?! "
Taba: Quais os picos mais loucos que você já andou?
Adonis: "Com certeza os picos mais irados que tive a oportunidade de andar foram em Barcelona. Atravessar o oceano e andar onde só via nos vídeos. É muito louco, isso!"
Taba: E a sessão mais marcante? 
Adonis: "Cara, foi uma que eu não andei. Foi quando os gringos estiveram aqui. Apenas pude filmar. Estar perto deles foi a realização de um sonho."
Taba: O que tu ouve no rolé? 
Adonis: "Tio, ouço de tudo. Coisas diferentes."
Taba: O skate manauara é:

Adonis: "É guerreiro. Aqui somos meio que isolados. O skate é algo que vive do intercambio físico e acaba sendo difícil para os skatistas daqui saírem para outros lugares."
Taba: O que é o skate pra você?
Adonis: "Cara, é uma forma de ver o mundo. Quem anda de skate acaba tendo uma visão mais detalhada e abrangente do todo." 

Se dividindo entre filmar e andar um pouco com os parceiros. Nollie bigspin nose pick ( 2014). Foto: Pedro Gabriel.

PONTA NEGRA E BILHARES

O lance de fazer algo mais pelo skate surgiu com Ity, Alex Borja e Adonis (com 16 anos na época) ganhando emprestado os fundos e as sobras de uma metalúrgica para começarem a fazer obstáculos para a galera andar. "Desde então começamos a fazer, mesmo sem saber. Grande Ity! Sempre incentivando e participando de todas as formas." Completa, Adonis.



De base trocada, ou seja, switch stance fs nose grind na Ponta Negra, em 2005. Foto: Blaise Pascal.

O que algumas pessoas não sabem é que a pista mais famosa de Manaus e segundo o skatista profissional  Murilo Romão, a melhor do Brasil, a da Ponta Negra (inaugurada em setembro de de 2002), foi desenhada por Adonis e foi inspirada no estilo plaza, ou seja, praça para andar de skate, que é uma tendência mundial. Adonis diz que a pista da Ponta Negra nasceu assim: "Comecei a fazer o projeto, à convite do secretario de esportes da época (Fabrício Lima) e sempre que eu fazia algo eu mostrava pros meus amigos do skate (Ulysses Boca, Antonio Manguaça, Wanderson, Adolfo Matchely, Wendell). Acho que foi por isso que deu certo. Não ficou só na mão dos arquitetos/engenheiros. Teve a consultoria de skatistas de verdade."

Outra pista bem conhecida e que passou por reforma recentemente, sob a influência e iniciativa da então Skate Salva, marca da qual era um dos sócios, o 'Bilha', assim conhecida a pista do Parque dos Bilhares,surgiu de uma ideia que não foi necessariamente de Adonis. Explica: "Eu estava no hall do elevador no Millenium e pude ver que ali seria construído algo tipo uma pista de skate. Contudo, tinha erros de angulação e outros. Fiquei preocupado e curioso. Aos olhos leigos, parecia uma pista de skate, mas para nós com certeza não era. Tive acesso à empresa que ganhou a licitação e minha opinião foi aceita por esta empresa."

 
Nose blunt no Bilha (2014) na era da Skate Salva numa cena rápida. Registrado por um dos mais novos talentos da fotografia manauara, Pedro Gabriel (PG).

OS VÍDEOS

Há muito tempo atrás, Adonis resolveu fazer vídeos das sessões dos amigos e dos parceiros que andavam pela Praça do Congresso e no Centro (Itamaracá e Porto). "Sempre tive vontade de fazer vídeo, desde a primeira vez que assisti "Skate, o esporte emoção (1987)". Aluguei inúmeras vezes."
Nessa mesma época, quando  ganhou (na verdade se apossou) sua primeira câmera do pai, Adonis começou a fazer os primeiros registros e já se arriscava em edições simples, mas com uma visão toda sua. Então, após vários vídeos simples e sem nome, surgiram  o Malako e Perfeito Submundo, que são alguns dos mais acessados.


Frame video 411, nº 64. Nose Slide.
Mesmo longe das pistas (andando), Adonis continua nas ruas constantemente coletando imagens para seu novo vídeo: 'Costume', que em breve será lançado.
Taba: O que a gente pode esperar para esse vídeo?

Adonis: "O Skateboard está aberto a tudo. Não posso me fechar para nenhuma possibilidade. Espero um vídeo que dê vontade de andar em quem assistir."
Taba: Deixe uma mensagem?
 Adonis: "Faça o que tiver vontade. Trate bem as pessoas. Saiba reconhecer os amigos. Respeite os outros. Saiba aceitar as diferenças. Consiga compreender o todo. Acho que é isso, tio."
 Taba: Valeu, tio!
Adonis: "Nós!"


Esticando alto um ss fs flip e fotografado, mais uma vez, pelo parceiro, Blaise Pascal (2004).

Segue  alguns dos vídeos mais acessados do skatista e videomaker Adonis Perfeito, se ainda não viu, dá uma conferida lá:

MALAKO:


 PERFEITO SUBMUNDO (PARTE FINAL):


COSTUME (TEASER):




terça-feira, 1 de setembro de 2015

O LONGO CAMINHO DO LONGBOARD

VIDA LONGA AO "SKATÃO"!



O skate tem suas várias possibilidades, vertentes, influências e caminhos. O longboard é com certeza um dos responsáveis diretos do crescimento do skate contemporâneo.

O downhill speed é uma das modalidades que atrai adeptos do longboard constantemente. Foto: C. de Castro.

Mais largo que um skate convencional, proporcionando uma estabilidade melhor e de mais fácil equilíbrio, o Longboard vem ganhando espaço na cidade. Mas nem tudo é facilidade. Quando o lance fica sério, controlar o skate a uma velocidade aproximada dos 60 km/h pode ser bem perigoso.

O número de praticantes só cresce, embora o valor seja bem mais alto do que as peças do street (convencional) o long tem feito a cabeça de muita gente que já descobriu que não precisa de muito para andar de skate e se sentir bem com isso e ainda poder curtir boas doses de adrenalina.


Representantes do longboard amazonense. Foto: C. de Castro.

MANAUS DE MUITOS CAMINHOS E RUAS

Em Manaus o movimento do long começou recentemente, após o domínio quase que absoluto da modalidade "street", por décadas, os manauaras descobriram que existe um caminho "suave" para quem não quer ou não simpatiza muito com o estilo agressivo do street: O longboard.
Com pranchas (shapes/decks) maiores, bem como rodas e trucks (eixos). O long vem ganhando lugar no gosto daqueles que sempre tiveram vontade de andar de skate mas nunca quiseram se arriscar demais com as manobras tensas nas rampas, corrimões, caixotes, etc.
O prazer de descer uma ladeira sentindo o vento no rosto, ziguezagueando a rua como quem surfa uma onda parece bem mais atraente para muita gente. Contudo, o longboard não é só isso. Não é só balanço de rede e marasmo, maninho. Existem submodalidades dentro desta modalidade.
Embora o longboard tenha quase o mesmo tempo de existência do skate comum, somente há pouco anos atrás ele começou a ser praticado por aqui.

VIVA ÀS LADEIRAS!

Não se sabe exatamente se na Califórnia ou no Havaí, mas o longboard nasceu para ser curtido nas ladeiras. Tanto é que suas principais modalidades recebem o nome de downhill Slide e downhill Speed. Ou seja, Downhill = descer montes, montanhas; ladeiras. Slides = escorregar, deslizar, derrapar e Speed = velocidade.
Em Manaus, essas duas modalidades estão em pleno crescimento. Prova disso é que o atleta da Workshop e Boardrider, Romulo Cardoso esteve representando Manaus em eventos no Sudeste, chegando a alcançar o 2º lugar em um evento em Catanduva-SP.
Boa parte dos longriders migraram do street. Com Romulo Cardoso Não foi diferente. Ele começou a andar de skate aos 12 anos. Hoje com 27, afirma que há três anos atrás estava a procura de um rolé mais suave - coisa que o street não satisfazia. "Comprei um long de speed pra andar somente aos fins de semana. Fiquei mais ou menos um ano andando no speed e logo deu vontade de aprender uns slides. Montei outro long com um shape de 40 polegadas e rodas mais duras. Esse tem sido meu set up desde então".
Romulo Cardoso que após curtir o street, preferiu ir para longboard e hoje faz uma mistura de estilos com skate de long. Foto: Facebook.

Romulo também já correu em outros eventos como o Circuito de Cultura Urbana, ficando em 1º lugar em 2013 e 2014 e neste ano também correu as duas primeiras etapas do Circuito Amazonense de Longboard (1º lugar). Contudo, lembra que o primeiro campeonato que correu foi em Bragança, no Pará, onde ficou 9º lugar.

Romulo com Sidney Andrade no Circuito de Cultura Urbana. Foto: Internet.


DO INÍCIO

O paulista Eduardo Ferreira Pinto, 49 anos, já surfou por 25 anos e há 11 veio transferido para Manaus. Anda de Long há oito anos e lembra que no começo do movimento a moçada andava nas pistas, mesmo. Apenas remando e tal. Depois disso, uma parte dos Old School do street resolveu adquirir um long e fazer uns rolés no Alphavile (condomínio que fica próximo ao Ponta Negra Skate Park). "Todo fim de semana era um lance muito família. Filhos, amigos, picnic e skate. O grupo cresceu e começamos a procurar outros lugares. Foi quando descobrimos a ladeira que liga à Avenida das Torres, Vila Suiça, e outras."

REDES SOCIAIS

As redes sociais têm contribuindo muito para o crescimento do longboard e um dos exemplos disso é o caso do designer Sidney Gonçalves de Andrade, 40 anos, 26 de skate. Sidney Andrade também começou no street e acabou migrando para o long. "Cara, meu primeiro skate ganhei da minha mãe. Foi comprado no 'Sukatão'. Com o tempo, evolui e ganhei outro melhor e depois nunca mais parei."
Sidney participou no último circuito de longboard como jurado do evento. Conta também que por meio das redes sociais pôde se inteirar do que rola no cenário do long em outros lugares, especificamente, Boa Vista. "Eu conheci os caras pelas redes sociais e pintou o convite. Consegui o dinheiro e fui lá ver qual era. Conheci muita gente do bem lá. O nível tá crescendo lá e foi uma experiência muito válida." Através das redes é que acontecem as trocas de experiências, as divulgações de eventos, trocas de informações sobre preços e materiais, produtos, etc. alega Sidney.


Eduardo em segundo, visualizando para tentar uma ultrapassagem (1º Circuito Amazonense de Longboard). Foto: C. de Castro.

 

Sidney Andrade executando manobra de downhill slide.

 

OS GRUPOS E O APOIO

Além das empresas que apoiam diretamente o esporte, existem grupos que se reúnem para andar e representar o esporte da melhor forma possível. Destacamos aqui o Longbrothers Manaus e Longsisters. Existem empresas apoiam o long amazônico: Workshop e Bordrider, bem como a Zeronovedois, que lança decks/shapes com madeira regional e uma ideia original.

Feitos com madeira local, os decks da Zeronovedois inovam no estilo. Foto: Divulgação.


O TOQUE FEMININO

Envolvida com todos os grupos e tratando da parte divulgação/produção (isso mesmo, riders são bem organizados) de todas as etapas do Circuito Amazonense de Longboard, a Videoeditora Cris Silva, 34 anos, além de trabalhar em um veículo comunicação na área de TV, ela também auxilia na divulgação dos eventos e todas as informações relacionadas (estatísticas e colocação dos competidores).
Cris começou andar de long em 2012, movida pela vontade de praticar um esporte que não fosse necessário ir para alguma academia. "Acho esse lance de academia muito estático. Não é da minha natureza."

Ela encontrou no skate muito mais do que um simples esporte. Cris Silva é, sem dúvidas, a mulher do longboard manauara.


Com certeza o skate é um esporte apaixonante que te leva para além das quatro paredes. Muita das vezes, o contato com a natureza faz toda diferença, pois em alguns casos, o long é praticado em lugares pouco habitados e com pouco trânsito de veículos, como é o caso do loteamento Vila Suiça, que é um dos picos mais frequentados por riders manauaras. Até por uma questão de segurança.
Destaca-se ainda, que quem começa apenas no estilo cruiser (descendo a ladeira e curtindo a vibe), acaba indo para downhill slide ou downhill speed. "Eu pratico downhill slide. Quando comecei a andar era só pelo condicionamento e relaxamento. Depois de um ano praticando slide, corri dois campeonatos, até agora." Completa, Cris.

Elas também têm chegado em grande número no long. Nas ladeiras de Manaus estão sempre presentes
Assim como Cris Silva, várias meninas aderiram ao esporte e se deixaram conquistar pela liberdade dos movimentos que ele traz. O long traz consigo uma vasta gama de possibilidades de manobras e estilos. Quem achar que downhill, tanto speed como slide podem ser muito puxados, lembremos que o freestyle, freeride ou walk the plank trazem um sentido todo surf para o longboard.
Se for começar agora, a configuração do seu long deverá ser de acordo com o tipo rolé que você quer dar. A escolha do tamanho e formato da prancha também devem ser de acordo com seu tamanho e peso. O que importa é que você se divirta.
Walk the plank, Dancing, Freestyle, Freeride, variações de um mesmo tema que as riders manauenses não ficam de fora.




 

OS PICOS

Os nossos entrevistados indicaram os seus melhores picos para dar aquele rolé. "Quem quiser conhecer é só chegar com a moçada. Todo mundo está apto pra ensinar alguma coisa. Ajudar de alguma forma." Argumentou Sidney Andrade.

Alphaville - Ponta Negra
Vila Suiça - Tarumã
Porto do São Raimundo
Rua Miranda Leão - Centro


Foto capturada pelas lentes de C. de Castro em um dos picos mais belos da cidade. Porto do São Raimundo.



SALVE FAMÍLIA, LONGBOARD!
SKATE FOR FUN!


segunda-feira, 10 de agosto de 2015

ADEUS, CONGRESSO!


ALDEIA DE MUITAS TRIBOS

Final dos anos 80, toda a década de 90 e início de 2000 foram de extrema importância para as diversas tribos urbanas que habitavam o centro da cidade. O local de reunião dessas diferentes formas de expressão era a Praça do Congresso. Dentre as várias tribos, estavam os skatistas.

No registro, encontro de gerações no Old School Session (2015), na Praça pós reforma. Antigamente era ponto de encontro das tribos urbanas de Manaus.


Eram headbangers, punks, capoeiristas, estudantes, cheiracolas, putas, noiados, traficantes, ladrões, casais de namorados, mendigos, vendedores de banana frita, pipoca, picolé da massa, algodão doce, cheiro de tacacá, salgado de macaxeira e marijuana pelo ar, enquanto o Trem da Alegria passava a todo tempo ao redor das Praças da Saudade e Congresso. As manobras rolavam no solto nos bancos. Todo dia tinha sessão. Pra quem morava longe, aos sábados e principalmente nos domingos, era normal entrar no busão por volta das 15 da tarde para chegar lá e sugar as manobras dos mais feras.

Não havia pistas nessa época. O som que embalava era o rock. Calças de moletom, bermudões de flanela, canvas e velcro era quase unanimidade. O skate já se mostrava muito mais que um esporte: um movimento urbano, um fato social.

Descendo a Eduardo Ribeiro a galera treinava os slides como quem praticava o downhill na forma mais suave. Logo embaixo, as calçadas e bordas iam aparecendo na frente das lojas, até chegar ao chafariz da Praça do Relógio. Pura diversão. Improviso.

Alex Borja manobrando no banco. Um dos caras que elevou o nível do skate manauara. Foto: Erick Dammon.

A PRAÇA DA SAUDADE É SÓ SAUDADES E CONGRESSO ENTROU EM ETERNO RECESSO PARA O SKATE

Muitos dos skatistas que hoje são conhecidos na cena local passaram pelo Congresso e reconhecem que foi uma escola sem igual do que é skate e do que é rua no seu sentido mais amplo da palavra.
"O que o Congresso representa? Vivencia, aprendizagem, escola de rua; minha segunda casa... Começo de uma evolução constante até os dias de hoje, apesar de não ser mais skatável." Registrou Gladson Pão, uma das figuras mais destacadas daquela época e que ainda hoje se encontra envolvido, mesmo após uma fatalidade que quase tirou sua vida. E continua:
"São 26 anos de skate. O primeiro contato foi quando eu era moleque. Eu via vários comboios de skatistas passando e não sabia para onde eles iam e um dia eu segui junto com dois amigos e paramos no Centro, não precisamente no Congresso, mas na Eduardo Ribeiro, Prefeitura e Praça da Saudade. Era final de 89. Depois o Congresso virou point."


Gladson Pão na Praça da Saudade, outro Pico do Centro que hoje já não se anda mais de skate como antes.




Como o skate já havia se firmado em 2000, as meninas já começavam a entrar devagarzinho nos grandes grupos dominados pelos caras. Um dos nomes que podemos citar é o de Gilmara Freitas, embora não tenha sido a primeira menina a andar no Congresso e na Saudade foi única que encontramos para esta reportagem. "É uma pena que hoje é inviável andar ali depois da reforma. Não tivemos a mesma sorte que os paulistas quanto à praça Roosevelt."
Gilmara que hoje é licenciada em ciências biológicas e professora, mas ainda anda de skate, lembra que seu primeiro contato com o skate foi em 2003 na Praça do Congresso "Era inevitável não reparar as manobras de bordas e de solo. A gente saia da aula e se reunia na praça pra bater papo e sempre o movimento dos skatistas chamava a nossa atenção." Era um terreno dominado por meninos, mas a vontade despertou quando percebeu que havia meninas praticando o skateboard. "Eu via a Lídia Barbosa. Seu jeito feminino no meio dos rapazes me chamou a atenção. Havia outras, como a Garrafinha e a Marfisa, mas a Lídia tinha um estilo diferenciado que me despertou a vontade de querer fazer o mesmo."



Uma visão da praça antes da Reforma cujo nome oficial é Antônio Bittencourt.
Após a reforma de 2012 a praça tornou-se totalmente inviável para a prática do skate.

 PRAÇA ROOSEVELT E A VIDA EM SOCIEDADE

 Bem diferente do que foi feito aqui, em São Paulo, em uma das praças mais conhecidas nacional e internacionalmente, os skatistas foram convidados a resolver um problema que há tempos se estendia: a convivência pacífica e ordeira entre frequentadores, transeuntes e skatistas. Conforme o skatista profissional André Hiena a reforma foi boa mas a limitação do espaço não é legal: "A socialização entre skatista e as demais pessoas tem que ocorrer." Ressaltou em uma entrevista para a TV local daquele estado.

A reforma da Roosevelt também ocorreu em 2012. Contudo, representante do skate foram chamados para opinar na obra e a praça ganhou uma espécie de Skate Plaza.

 O valor cultural e histórico da praça Roosevelt não é maior e nem menor do que o Congresso, a vida em sociedade é algo é difícil, mas é preciso que representantes se mostrem atentos às mudanças. Ainda a exemplo da praça Roosevelt, alguns moradores das proximidades da praça disseram por meio das redes e mídias sociais que todas as vezes que tentaram afastar os skatistas a praça ficou muito vazia e portanto, mais perigosa. O número de assaltos aumentou. Ou seja, o espaço público deve ser utilizado por todos, embora uma parte das pessoas não compreenda isso nem lá, nem cá. Se aqui colocaram vigilantes e tornaram o piso, os bancos e a praça, de um modo geral, impraticáveis para o skate, lá ocorreu um dos fatos mais vultuosos de violência já registrados envolvendo skatistas. Guardas Civis Metropolitanos usaram de excessos para proibir o skate na praça. Teve agressões físicas, xingamentos, spray de pimenta e processo contra os agentes (segue o link).




Sabemos o que deve ser feito pelas autoridades, mas o que deve ser feito por nós para que o skate seja tratado como esporte e tenha seu devido reconhecimento? Onde podemos estar falhando? Não podemos culpar apenas as autoridades "competentes" e governantes por casos como esse da praça do Congresso. Somos quase que independentes. Às vezes tudo o que precisamos é um chão liso e uma boa iluminação, porque os obstáculos nós construimos. Quantas vezes já não fizemos isso? Ainda fazemos isso. Veja o Mindú! A Praça do "O", entre outros picos que surgiram e surgem ao longo dos anos. Temos algumas pistas, mas ainda é pouco. O número de de skatistas só cresce. O que fazer para ficar melhor?


Fica o link do vídeo produzido por Leonardo Fortes onde consta alguns registros do Congresso.



Gostaria de citar muitos nomes daquela época mas correria o risco de ser injusto. Porém, como eu era tímido e corria por fora do círculo dos populares, só vendo os melhores andarem, aprendendo de longe. Quero agradecer a duas pessoas que já se encontram em outro plano (até onde eu sei) André Cabecinha pela parceria e Riquinho por sempre me reconhecer e ir falar comigo mesmo que eu fosse um cara que não me envolvia muito e pelas dicas das manobras e outras cositas mas... Salve Congresso Family e família skateboard! É hora de juntar tudo.



quarta-feira, 5 de agosto de 2015

LINHA DE FRENTE - AS MARCAS DE MANAUS

LINHA DE FRENTE

Em tempos que o skate ganha novos adeptos, surgem novos picos e o esporte se torna mais conhecido e é visto de maneira mais agradável pela sociedade, marcas originalmente manauaras vem pra somar e disputar o mercado.

 

 Nunca se viveu em Manaus um momento tão propício para se investir no skate. Tanto para quem deseja começar a andar ou para quem procura ganhar dinheiro com o esporte.

Em tempos de crises econômicas pelo mundo, no Brasil e na nossa cidade, alguns visionários resolveram apostar nesse mercado que mesmo em meio a tudo isso, só cresce. Alguns deles tiveram a simples vontade de passar para os outros (especialmente os novatos) aquilo que não tiveram quando começaram.


Com o valor um pouco alto das peças nacionais e importadas, alguns skatistas optam por comprar peças de segunda mão para não pararem de andar de skate. Pensando nisso, alguns skatistas tornaram-se empresários com o intuito de trazer coisas de qualidade por um preço mais acessível.



EM 98 FOI LANÇADA A PRIMEIRA MARCA ORIGINALMENTE MANAUARA. A URBANUS.

A história do Urbanus começa quando Erick Dammon e Orlando (Speed Machine) resolveram ir além da arte do grafite de paredes e muros. A ideia começou em grafitar camisas e agradou de cara a muitos. "A Urbanus ficou bem conhecida no meio underground. O congresso foi o berço do Urbanus." Ressalta Dammon que é o responsável pela marca e que segundo ele,  já chegou a vender 800 camisetas por mês. Ultrapassando a venda de outros produtos nacionais que eram comercializados aqui.

Dammon deu continuidade ao projeto e iniciou a comercialização de shapes que são produzidos em outro estado, mas sob a marca Urbanus e afima: "Na verdade, ninguém produz shape aqui em Manaus ou no Amazonas. Os únicos que eu sei que já fizeram isso foi o Ney Metal há anos atrás quando conseguiu uma prensa e o Leo Pakalolo com a Phoenix Board. Houve um outro cara em Maués, mas não sei se prosperou."
Erick Dammon, artista plástico, músico, skatista, empresário, fotógrafo e acadêmico de artes da UFAM.



A Urbanus se renovou em muita coisa, mas a ótica de artista de Erick Dammon continua a mesma.

 "Começamos a produção e venda de shapes em 2004. Depois disso eu tive uns problemas pessoas e tivemos uma pausa nos trabalhos e voltamos com mais força. Hoje a Urbanus deu cria e a cria é a Zoo mostrando um grafismo que remete à selva de pedras que é a cidade; habitat natural do skate. É a rua. É nós."







Maple canadense é uma aposta diferente da Urbanus e da Zoo.



Como todas as outras marcas de Manaus, a fabricação é feita no Sul do país.

A equipe de skatistas é formada por Bruno (Tu Pac) Rafael, Marcelo Ipanema, Adriano Barros Cole e outros.
Equipe Urbanus/Zoo na função pelas ruas do Centro Histórico.



3R - A RATARIA DESENROLADA

Antiga formação da equipe SRV com a maioria dos membros da 3R. Logo depois Tarcio Viana ficaria com a SRV e a 3R começaria a comercializar shapes.


3R é uma das marcas mais underground de hoje, a começar pelo significado da sigla: Ratos no Rolo Rápido. Teve como idealizador André Laranja. "Começou em 2010. A gente era uma crew de skate, rap, pixação e grafite. Depois fizemos camisas, apoiamos eventos e incentivamos as batalhas de rima. Em seguida, rolou o lance dos shapes (em 2014)."

De fato a 3R são os ratos de pista. As pistas mais frequentadas têm sempre a presença da crew que é formada por 25 pessoas, entre elas, Junior Embaça, Allison, Moisés Chavez, Irailson, André Laranja e Thalia Tavares. Nem sempre se vê todos em uma única pista, mas estão sempre espalhados pela cidade do Morro na  Zona Sul ao Viver Melhor na Barreira.

A 3R também oferece qualidade e durabilidade com materiais de marfim e fibra de vidro e maple canadense. Além de grafismos direto na madeira.


Com um suporte total da Síntese Skate Shop, os planos da 3R agora é sair com uma linha de trucks. Lembrando que a 3R e Síntese Skate Shop têm apoiado vários eventos e suporte físico para pistas como da Ponta Negra e do Morro.




SKATE, RAP E OUTRA MARCA

Tarcio Viana é responsável pela marca e um dos melhores skatistas de Manaus. Uma espécie de P-Rod Baré, além de ótimo fotografo e videomaker. (Foto: Pedro Gabriel)
 Antes de surgir a 3R, Alison da Síntese Skate Shop e Tarcio Viana se juntaram num projeto que se chamava "Skate, Rap e Vandalismo", a SRV. A marca foi lançada em 2014, contudo, a sociedade teve que ser desfeita e Tarcio assumiu a marca, mudando apenas o nome de Skate Rap e Vandalismo para Skate Rap e Vida. "Houve uma mudança de vida. Uma mudança na minha vida quando eu me voltei para Cristo. Achei por bem a substituir a palavra vandalismo por vida, embora a sociedade veja o skate como vandalismo por causa do uso das calçadas, bancos, etc.  Disse Tarcio.

Além da mudança no nome, a SRV teve mudanças no grafismo.

 A marca tem sido bem aceita por skatistas da capital e de outros municípios onde o skate já chegou, oferecendo shapes com fibra de vidro em marfim e maple.
A crew é formada por ele (Tarcio), Pedro Gabriel (PG), Osmar Castro e David Batista.

Equipe atual que forma a crew da SRV que tem Pedro Gabriel (de vermelho) que também é um excelente fotografo e videomaker, juntamente com Tarcio Viana (de azul).


Tarcio alega que a visão é muito mais do que vender produto: "A nossa ideia é fazer com que o skate do norte venha a progredir. Não permitir que ele continue nesse atraso, usando as filmagens mostrando a cena livre (sem panelas) para divulgar o que rola aqui."


CENA RÁPIDA

Marcelo KB é skatista, empresário e videomaker. Cena rápida sempre.

 

Pode crer! Cena rápida é a frase que já é cara de um dos skatistas mais conhecidos aqui e fora de Manaus, Marcelo Fernandes (Cabeça) é nome da sua marca de shapes.
Com grafismos simples e preço bom, Marcelo Cabeça tem sua própria loja onda vende os seus seus produtos e outros ainda. A KB Skate Company, bem como faz vídeos com nome de KB Filmes.

 
Grafismos simples, desenho modesto e preço justo.


Mais detalhes sobre a marca não puderam ser passados, pois até término desta reportagem não recebemos o retorno do nosso ilustre Marcelo Fernandes. Cena rápida, realmente!


  UM OUTRO CAMINHO

Com ótimos vídeos e atletas de ponta, além de uma equipe de videomakers e fotógrafos da melhor qualidade, nasceu a ULYCK 86. A marca que ainda se encontra em mudanças e em plena ascendência vem fazendo um caminho diferente das outras marcas.
Sob a direção de Ulysses Athayde, a ULYCK 86 segue sua linha ganhando terreno e a freguesia que conhece e acredita na crew que a representa.
 
Ao centro (de vermelho) Ulysses Boca o idealizador da marca..


Sendo a equipe formada Antonio Cardoso (Manguaça), Ulysses Athayde (Boca), Maikon Quaresma (Baraka), Raphael Senna (Camarão), Tiago Rick (Gugu), Jó Gomes e Wesley Soares e Matheus Carvalho, eles seguem tocando o projeto e querendo mais.



Shapes em madeira marfim com boa qualidade e bom preço.


A ULYCK 86 promete novidades, como roupas e outros itens a serem lançados. Enquanto isso a marca segue com a crew fazendo suas sessões pelos diversos picos de Manaus.
Sessão no mais novo pico da cidade. Viver Melhor. Muita gente parou pra ver.

A ESCOLHA É SUA

Grafismos, ideologias, materiais, fabricação e preços diferentes. Agora você já conhece as marcas originalmente manauaras. Querendo apoiar, economizar e fortalecer a cena do skate local é só escolher uma delas e correr pra rua. Lembrando que nenhuma delas é fabricada aqui. Por várias questões. Uma delas é o tipo de madeira que não é cultivada aqui e outra é que não existe realmente fábricas aqui no Amazonas. Talvez, isso mude um dia. Enquanto isso, vamos remando de switch em direção ao gap das crises.

terça-feira, 14 de julho de 2015

ITB SKATE CHURCH

UMA OUTRA VISÃO

ITB SE TORNOU UM NOME CONHECIDO ENTRE TODOS OS SKATISTAS AMAZONENSES, MAS O PLANO SEMPRE FOI OUTRO.

Wendell é o cara que toca o projeto que já tem quase 20 anos.

À primeira vista, uma igreja batista tradicional bem conceituada e consolidada em solo manauara, mas o tradicionalismo fugiu do convencional, mostrando que a Igreja Tabernáculo Batista tem uma forma diferente de cumprir sua missão.

Existe todo um diferencial no ambiente. A começar por se tratar de um skate park coberto, diga-se de passagem, o único da cidade. Uma quadra com aproximadamente 50 metros quadrados com obstáculos modernos e novos. Entre estes, uma miniramp e uma microramp (para crianças e iniciantes).

Não tem tempo ruim pro rolé. Se chove ou se faz sol os skatistas podem estar à vontade para praticar o melhor do skate. À "vontade" é modo de dizer, afinal de contas, trata-se de uma igreja praticamente, já que a quadra onde fica o skate park é uma extensão da ITB.

Os nomes mais conhecidos do skate manauense já passaram e passam por lá.

Levamos um papo com o Wendell e vamos compartilhar com vocês.

Taba: Para quem não te conhece, quem é você?
Wendell Moreira dos Santos, 36 anos, membro da ITB, casado e pai de duas princesas que também andam de skate.

Taba: Como foi seu primeiro contato com o skate?
Wendell: Cara, eu comecei a brincar de skate com 8 anos. Na época a molecada da minha rua brincava e eu gostei de cara.

Taba: Há quanto tempo está envolvido com o skate e como surgiu a ideia do skate park na ITB?
Wendell: O park começou em 1998. A ideia foi do Pastor Tom Turley e começamos na Vila Olímpica aos sábados. Levávamos água e distribuíamos. Com isso fomos fazendo amizades. O Preto (Taveira) foi o primeiro e depois o Matchely. Chegamos pra eles e dissemos que tínhamos uma quadra e iríamos fazer uns obstáculos. Assim os convidamos.
Os primeiros obstáculos foram feitos meio que na marra. Depois disso veio Wanderson e ajudou. Então fomos modificando e melhorando os obstáculos. Crescemos. Com o objetivo de levar a Palavra de Deus a todos.

Dia de casa lotada e muita diversão Skate for Jesus.

Em 99/2000 começamos a fazer os campeonatos.Fizemos vários e também tivemos a oportunidade de trazer uns profissionais como Fábio Cristiano (Chupeta), Márcio Conrado, Batman e Formiga de Belém. Após isso, o Pastor Tom Turley teve que voltar para os Estados Unidos e tive que assumir e dando continuidade no trabalho. Contei com a ajuda do Davi Siqueira e fomos trabalhando as melhorias. Logo depois o Davi saiu e eu fiquei só e perdi um pouco o foco. Olhei mais para o skate do que para Cristo. Paramos em 2002.

Após repensar voltamos em 2006 e ficamos até 2008. Contudo, paramos de novo porque nos preocupamos mais com o skate do que com o objetivo que é Cristo. Desde o ano passado (2014) estamos de volta e graças a Deus tem crescido e temos procurado manter o objetivo, o foco: Cristo.

Taba: Como funciona o park? Renda, despesas, manutenção...
Wendell: Não estamos cobrando nada de ninguém pra vir andar aqui. É mantido por ofertas da igreja e por voluntariado de alguns na mão de obra e doação de material.

Taba: E esse evento que rolou sábado (11/07)?
Wendell: Skate for Jesus. Esse é o nome do evento. Foi um meio diferente de mostrar Cristo, mas não só isso, é um investimento em pessoas. Fizemos o que pudemos de melhor. Três best tricks, sorteio com vários prêmios grátis, sem precisar comprar rifas ou coisas do tipo. Tivemos ainda uma banda ao vivo (Santrio) e o DJ Marcelo D12 nas pick ups fazendo um som.

O evento contou com 3 best tricks.



Taba: Quem quiser conhecer como faz? O funcionamento?
Wendell: As terças com estudo da Palavra das 19h30m às 22, quintas pista liberada no mesmo horário e sexta é a vez da galera da BMX, também no mesmo horário. Sábados das 10 às 11h30m escolinha de skate para a criançada e à tarde das 14 às 17h30m pista liberada para os carrinhos, sendo que no domingo é o mesmo horário à tarde. O endereço é Rua Japurá, 2020, Cachoeirinha.

Taba: Valeu, Wendell!  Quer deixar uma frase, um alô?
Wendell: Procurem conhecer a ITB, mas antes de tudo procurem saber quem é Cristo.


Janderson Torres mandando um "flipaço" conquistou best trick. Registro histórico pelas lentes de Pedro Gabriel (PG).

Vencedores do best trick:
Janderson Torres (flip monstro);
Miguel;
Átila.

Para mais vídeos e fotos acesse o nosso facebook: Taba Skaters.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

FLORESCENDO NO CONCRETO.

FLORES DO CONCRETO E OS FRUTOS DA NOVA GERAÇÃO

Em meio a um cenário dominado há muito tempo pelo sexo masculino, foi semeada a beleza que hoje vemos nas ruas e pistas de Manaus.

Esse prêmio foi simbólico. Houve entrega de acessórios e quantias em dinheiro (Foto: Matheus Carvalho).


30 de agosto de 2014 foi um dia marcante para os skatistas manauaras. Não só para os do sexo feminino. Os ratos, os Old School e os dogs nunca tinham visto um evento tão bem preparado e tão florido como foi esse evento que tomou conta do Skate Park da Praia da Ponta Negra.

Tudo teve início com um grupo de 11 meninas que fazem parte do skate manauense e que vem movimentando a cena do skate feminino aqui na capital amazonense.

Falamos com uma das idealizadoras e competidoras do evento, Janaína dos Anjos, que nos contou um pouco sobre as ""Flores".

Taba: Como surgiu a ideia do campeonato?

Jana: Surgiu através das conversas e opiniões sobre como andava o skate manauara com organizações falhas e associações e federações que não funcionam então decidimos dar um basta unindo forças nesse evento que deu o que falar (risos).






Taba: O nome "Florescendo", como surgiu?

Jana: Veio do nome do projeto de pesquisa de uma das integrantes do grupo. O projeto se chamava Flores do Concreto. Houve uma votação e decidimos que ficaria acertado assim. Pouca gente sabe, mas na pista da Ponta Negra existem canteiros ao redor da pista e algumas pessoas só se deram conta disso depois que plantamos algumas flores ali, nas vésperas do campeonato.

Taba: Como você começou a andar de skate?

Jana:
Em 2002, através da construção do Skate Park Ponta Negra onde comecei a andar pelas primeiras vezes. Na época eu tinha 15/16 anos de idade. Foi sensacional descobrir um esporte onde não dependia de ninguém além de mim mesma pra evoluir e é claro, dos equipamentos que eu usava...

Taba: Planos do Florescendo???
 

Jana: Por enquanto ainda não. O único plano é cultivar o que fizemos para que os próximos eventos sejam sempre melhores ainda.

Taba: Parabéns pela conquista! Seu rolê foi nervoso. Esperamos que neste ano de 2015 venha mais uma edição deste campeonato "que deu no que falar."

Jana: Valeu! É Nós! Flores! Paz!



Jéssica Ramos, Gilmara Freitas e Janaína dos Anjos. Foto: Divulgação Facebook.

Feminino 2
1º Jéssica Ramos
2º Janaína dos Anjos
3º Gilmara Freitas


Comemoração geral. Foto: Divulgação Facebook.


Categoria Feminino Iniciante
1º Tainá
2º Bianka Santana
3º Fernanda Rodrigues