terça-feira, 14 de julho de 2015

ITB SKATE CHURCH

UMA OUTRA VISÃO

ITB SE TORNOU UM NOME CONHECIDO ENTRE TODOS OS SKATISTAS AMAZONENSES, MAS O PLANO SEMPRE FOI OUTRO.

Wendell é o cara que toca o projeto que já tem quase 20 anos.

À primeira vista, uma igreja batista tradicional bem conceituada e consolidada em solo manauara, mas o tradicionalismo fugiu do convencional, mostrando que a Igreja Tabernáculo Batista tem uma forma diferente de cumprir sua missão.

Existe todo um diferencial no ambiente. A começar por se tratar de um skate park coberto, diga-se de passagem, o único da cidade. Uma quadra com aproximadamente 50 metros quadrados com obstáculos modernos e novos. Entre estes, uma miniramp e uma microramp (para crianças e iniciantes).

Não tem tempo ruim pro rolé. Se chove ou se faz sol os skatistas podem estar à vontade para praticar o melhor do skate. À "vontade" é modo de dizer, afinal de contas, trata-se de uma igreja praticamente, já que a quadra onde fica o skate park é uma extensão da ITB.

Os nomes mais conhecidos do skate manauense já passaram e passam por lá.

Levamos um papo com o Wendell e vamos compartilhar com vocês.

Taba: Para quem não te conhece, quem é você?
Wendell Moreira dos Santos, 36 anos, membro da ITB, casado e pai de duas princesas que também andam de skate.

Taba: Como foi seu primeiro contato com o skate?
Wendell: Cara, eu comecei a brincar de skate com 8 anos. Na época a molecada da minha rua brincava e eu gostei de cara.

Taba: Há quanto tempo está envolvido com o skate e como surgiu a ideia do skate park na ITB?
Wendell: O park começou em 1998. A ideia foi do Pastor Tom Turley e começamos na Vila Olímpica aos sábados. Levávamos água e distribuíamos. Com isso fomos fazendo amizades. O Preto (Taveira) foi o primeiro e depois o Matchely. Chegamos pra eles e dissemos que tínhamos uma quadra e iríamos fazer uns obstáculos. Assim os convidamos.
Os primeiros obstáculos foram feitos meio que na marra. Depois disso veio Wanderson e ajudou. Então fomos modificando e melhorando os obstáculos. Crescemos. Com o objetivo de levar a Palavra de Deus a todos.

Dia de casa lotada e muita diversão Skate for Jesus.

Em 99/2000 começamos a fazer os campeonatos.Fizemos vários e também tivemos a oportunidade de trazer uns profissionais como Fábio Cristiano (Chupeta), Márcio Conrado, Batman e Formiga de Belém. Após isso, o Pastor Tom Turley teve que voltar para os Estados Unidos e tive que assumir e dando continuidade no trabalho. Contei com a ajuda do Davi Siqueira e fomos trabalhando as melhorias. Logo depois o Davi saiu e eu fiquei só e perdi um pouco o foco. Olhei mais para o skate do que para Cristo. Paramos em 2002.

Após repensar voltamos em 2006 e ficamos até 2008. Contudo, paramos de novo porque nos preocupamos mais com o skate do que com o objetivo que é Cristo. Desde o ano passado (2014) estamos de volta e graças a Deus tem crescido e temos procurado manter o objetivo, o foco: Cristo.

Taba: Como funciona o park? Renda, despesas, manutenção...
Wendell: Não estamos cobrando nada de ninguém pra vir andar aqui. É mantido por ofertas da igreja e por voluntariado de alguns na mão de obra e doação de material.

Taba: E esse evento que rolou sábado (11/07)?
Wendell: Skate for Jesus. Esse é o nome do evento. Foi um meio diferente de mostrar Cristo, mas não só isso, é um investimento em pessoas. Fizemos o que pudemos de melhor. Três best tricks, sorteio com vários prêmios grátis, sem precisar comprar rifas ou coisas do tipo. Tivemos ainda uma banda ao vivo (Santrio) e o DJ Marcelo D12 nas pick ups fazendo um som.

O evento contou com 3 best tricks.



Taba: Quem quiser conhecer como faz? O funcionamento?
Wendell: As terças com estudo da Palavra das 19h30m às 22, quintas pista liberada no mesmo horário e sexta é a vez da galera da BMX, também no mesmo horário. Sábados das 10 às 11h30m escolinha de skate para a criançada e à tarde das 14 às 17h30m pista liberada para os carrinhos, sendo que no domingo é o mesmo horário à tarde. O endereço é Rua Japurá, 2020, Cachoeirinha.

Taba: Valeu, Wendell!  Quer deixar uma frase, um alô?
Wendell: Procurem conhecer a ITB, mas antes de tudo procurem saber quem é Cristo.


Janderson Torres mandando um "flipaço" conquistou best trick. Registro histórico pelas lentes de Pedro Gabriel (PG).

Vencedores do best trick:
Janderson Torres (flip monstro);
Miguel;
Átila.

Para mais vídeos e fotos acesse o nosso facebook: Taba Skaters.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

FLORESCENDO NO CONCRETO.

FLORES DO CONCRETO E OS FRUTOS DA NOVA GERAÇÃO

Em meio a um cenário dominado há muito tempo pelo sexo masculino, foi semeada a beleza que hoje vemos nas ruas e pistas de Manaus.

Esse prêmio foi simbólico. Houve entrega de acessórios e quantias em dinheiro (Foto: Matheus Carvalho).


30 de agosto de 2014 foi um dia marcante para os skatistas manauaras. Não só para os do sexo feminino. Os ratos, os Old School e os dogs nunca tinham visto um evento tão bem preparado e tão florido como foi esse evento que tomou conta do Skate Park da Praia da Ponta Negra.

Tudo teve início com um grupo de 11 meninas que fazem parte do skate manauense e que vem movimentando a cena do skate feminino aqui na capital amazonense.

Falamos com uma das idealizadoras e competidoras do evento, Janaína dos Anjos, que nos contou um pouco sobre as ""Flores".

Taba: Como surgiu a ideia do campeonato?

Jana: Surgiu através das conversas e opiniões sobre como andava o skate manauara com organizações falhas e associações e federações que não funcionam então decidimos dar um basta unindo forças nesse evento que deu o que falar (risos).






Taba: O nome "Florescendo", como surgiu?

Jana: Veio do nome do projeto de pesquisa de uma das integrantes do grupo. O projeto se chamava Flores do Concreto. Houve uma votação e decidimos que ficaria acertado assim. Pouca gente sabe, mas na pista da Ponta Negra existem canteiros ao redor da pista e algumas pessoas só se deram conta disso depois que plantamos algumas flores ali, nas vésperas do campeonato.

Taba: Como você começou a andar de skate?

Jana:
Em 2002, através da construção do Skate Park Ponta Negra onde comecei a andar pelas primeiras vezes. Na época eu tinha 15/16 anos de idade. Foi sensacional descobrir um esporte onde não dependia de ninguém além de mim mesma pra evoluir e é claro, dos equipamentos que eu usava...

Taba: Planos do Florescendo???
 

Jana: Por enquanto ainda não. O único plano é cultivar o que fizemos para que os próximos eventos sejam sempre melhores ainda.

Taba: Parabéns pela conquista! Seu rolê foi nervoso. Esperamos que neste ano de 2015 venha mais uma edição deste campeonato "que deu no que falar."

Jana: Valeu! É Nós! Flores! Paz!



Jéssica Ramos, Gilmara Freitas e Janaína dos Anjos. Foto: Divulgação Facebook.

Feminino 2
1º Jéssica Ramos
2º Janaína dos Anjos
3º Gilmara Freitas


Comemoração geral. Foto: Divulgação Facebook.


Categoria Feminino Iniciante
1º Tainá
2º Bianka Santana
3º Fernanda Rodrigues


terça-feira, 7 de julho de 2015

O começo de uma história

Skate House - O início de uma era

Uma entrevista com uma das figuras mais envolvidas com skate amazonense. Ity Guimas.

 
Entrevista realizada no início de 2014.

Ele já foi uma das figuras mais atuantes da cena do skate manauense. Não gosta de ser chamado pelo nome da identidade e hoje espera o momento certo para retorna à cena. Ity Guimas é o cara por trás do nome Skate House.

O interesse pelo esporte começou em meados dos anos 80 quando o point era do lado do Teatro Amazonas e o skate nada mais era do que um “patinete sem guidão”, como ele mesmo define. “A gente achava que o skate era uma onda passageira.”

Em 92, motivado por uma série de problemas que percebeu existir em Manaus, em relação à compra de peças de skate foi que Ity resolveu criar então a loja mais conhecida da cidade. Isso tudo porque simplesmente, a Skate House não era apenas uma loja que vendia peças, roupas, revistas e coisas relacionadas. Era uma casa mesmo (house=casa), onde todos os skatistas se reuniam para saber mais o que rolava na cena nacional e internacional por meio dos vídeos em VHS. Sim! Havia um videocassete lá. Quem chegava podia assistir os vídeos gringos e nacionais que sempre estavam sendo mostrados em uma TV de tubo de imagem, suspensa na parede da loja. O que pouca gente sabe é que o nome Skate House, que traduzido em português é casa do skate, recebeu esse nome porque quando começou, Ity vendia os produtos na sua própria casa. O seu diferencial, diz ele: “Fiquei 7 anos sozinho no mercado e nem por isso explorei ninguém. Outra coisa é que na época algumas lojas detinham o conhecimento só para à sua panelinha. Daí eu pensei: Como o esporte iria evoluir se quem deveria divulgá-lo acabava ocultando as novidades?”


“Como o esporte iria evoluir se quem deveria divulgá-lo acabava ocultando as novidades?”


De certo que os tempos eram difíceis, não havia um lugar apropriado para a prática do skateboard e a saída encontrada por ele foi construir uma pista móvel, por assim dizer. Foram vários campeonatos realizados. Em um desses foram 120 iniciantes, 92 no amador 2 e 86 no amador 1. Tudo isso sem nenhum auxílio do governo ou prefeitura. Mais tarde, Ity criou a primeira Associação de Skate de Manaus, a ASM.

“A gente achava que o skate era uma onda passageira.” “Fiquei 7 anos sozinho no mercado e nem por isso me aproveitei.”


Taba: Como você vê o skate hoje?

Ity: Hoje as oportunidades são maiores. Existem várias pistas e a internet ajuda com a disseminação das manobras e eventos. Mas a crocodilagem ainda existe e isso atrapalha o crescimento do esporte. Existem muitos oportunistas e gente que só pensa no seu lado. Outro fator que precisa ser corrigido é a questão do uso de drogas nos eventos. Não quero pagar sapo para ninguém, mas quando um atleta renomado acende um simples baseado na pista, isso soa negativamente para os pais que estão investindo nos seus filhos que gostam do skate.

Infelizmente, parece que tem gente que espera um campeonato para fazer m***...
 

Taba: Você está fora do mercado há uns três anos. Parou por quê? Existiram decepções que você poderia falar?
Ity: Cara... é f***! Tive problemas de saúde. Embora empresários e algumas figuras políticas terem me deixado na mão algumas vezes. Digo, na questão dos prêmios prometidos para campeonatos e auxílios com a montagem e transporte de equipamentos e locais para eventos. O problema, às vezes, são os próprios skatistas que insistem em tornar o skate em esporte marginalizado.
Lembro do Pastor da Igreja Tabernáculo Batista (ITB) que há alguns anos atrás construiu uma pista na área da igreja. Todos adoravam a pista. O problema foi que alguns carinhas sem noção começaram a usar e vender drogas ali. Conclusão: a pista acabou. Depois disso, a única pista de vertical que tínhamos, uma das melhores que eu já vi, foi fechada e continua assim por quase dez anos, pelo mesmo motivo. Isso era constante nos campeonatos que eu fiz. Não sou contra quem usa. Cada um deve fazer o que quiser. Porém, tem lugar e hora para tudo.


Taba: O que você acha que deve ser feito para melhorar o skate em Manaus?
Ity: Incentivar os iniciantes fazendo campeonatos e disponibilizando informação constantemente. Diga-se de passagem, que nos campeonatos devem vencer quem realmente andou melhor. Chega de panelinhas. No skate nem sempre o melhor é quem vence.
Acho que quem anda de skate precisa entender que só andar não é suficiente. Muita gente tem se unido para fazer muita coisa legal de uma maneira independente. Ou seja, sem pedir apoio do governo, prefeitura ou empresários. Tem uma grande moçada da old school fazendo coisas bacanas. São pessoas com mais de 20 anos de skate que estão desenvolvendo projetos e fazendo a diferença na cena atual. Embora eu sempre tenha acreditado que o skate é apenas um esporte apaixonante, esses caras estão provando que é uma filosofia de vida.
Ity Guimas contribui muito pro skate amazonense atual (Foto: Matheus Carvalho).


Taba: Uma última frase.
Ity: Em vez de criticar e atrapalhar quem está fazendo algo, faça igual ou melhor.
Taba: Valeu Ity! E volte logo com a Skate House.
Ity: Falou! Precisando...