sexta-feira, 11 de setembro de 2015

FRONT SIDE - ADONIS PERFEITO

LONGE DAS PISTAS E MAIS PERTO DA RUA.

Uma das figuras mais conhecidas do skate manauense. Considerado por várias vezes como o melhor skatista de Manaus e um dos mais influentes no cenário nacional, Adonis Lopes Perfeito fala um pouco da sua história com o carrinho.

 
Profile no site da Skate Salva, uma marca que deixou saudades. Idealizador de grande parte dos projetos da marca.


Querido por muitos, criticado por vários. Certo é que o cara faz parte da história do nosso skate e continua atuante em prol do esporte. Justiça seja feita. Muita coisa ele ajudou para nossos carrinhos deslizarem suaves em alguns picos da cidade.
Hoje, com um problema sério no joelho esquerdo e outros mais simples no direito (base goof), Adonis se recupera e sonha em manobrar por muitos anos, ainda. Não para menos, ele foi escolhido para dar início a série "frontside" que é uma sequencia de entrevistas com skatistas que fazem parte da linha de frente do skate baré. A intenção é dar voz e vez a todos que fazem parte dessa família que é rua pura.

GARRAFADAS E POGOBOL

Adonis Lopes Perefeito (Perfeito é sobrenome, mesmo), 37 anos, nascido na Benficente Portuguesa e criado em Manaus pelas ruas do Centro ganhou seu primeiro skate por acidente. "Minha mãe tinha prometido me dar um pogobol e como não conseguiu encontrar, comprou um skate. Isso foi em 87. Eu tinha 9 anos. De lá pra cá todos os momentos foram bons (com o skate)." Ainda criança, ele tinha asma e tomou muitas "garrafadas" dadas pela sua vó e não sabe afirmar se foram os remédios caseiros ou a intensidade  com que andava de skate que fez com que a doença "pegasse o beco".


O pogobol já foi um dos brinquedos mais cobiçados. Já pensou se ele tivesse ganhado um desses?


Um ano, foi o tempo que Adonis morou em São Paulo. Visitandondo sempre Brasília, pois sua família é dali,  teve contato com um amigo (Fubá) que lhe ajudou a proporcionar um dos momentos mais marcantes na sua vida de skatista. Contribuiu para filmagem do 411 Brasil (trip filmada em Brasília) onde teve uma manobra sua filmada pelos caras. Um dos melhores momentos da sua vida como skatista.


Front Side Ollie na extinta Pista Vertical da Vila Olímpica (1992). Foto: Arquivo pessoal.

Depois de um ano e quatro meses parado em função dos problemas constantes nos joelhos (especificamente no esquerdo) e uma cirurgia de pulmão, Adonis já arrisca manobras, mas sem puxar muito o ritmo.

Em 1998 nas ruas da Manaus pelas lentes de Erick Dammon. Fs nollie heel. 


O SKATISTA PROFISSIONAL E O VIDEOMAKER


Este ano, na função. Focado na manobra e clicado por Arnaldo Saldanha.

Taba: Sobre os campeonatos que você correu, conta aí um pouco dessas aventuras.
Adonis:
"Eu corri vários. Não lembro quantos.
"Ganhei apenas dois como amador. Não sei nem por que eu corria. Era um lance meio Maria vai com as outras. Eu não entendia o que deveria ser feito em um campeonato. Como profissional corri em São Paulo e em Curitiba, depois desencanei".
Taba: Como foi pra você se profissionalizar?

Adonis: "Cara, peguei muita pilha e fui. Preenchi os requisitos da Confederação Brasileira de Skate."
Taba: Podemos dizer que você é um skatista profissional?

Adonis: "Não mais. Me profissionalizei em 2003 e permaneci até 2005 e depois fui filmar."
O que você acha que é preciso para um skatista se profissionalizar?

Adonis: "Velho... carisma. Skate no pé, tá na pegada... sem forçar a barra. Se bem que o skate cru não tem isso. Profissionalismo é institucionalizar. Mesmo assim, dentro do skate se vê um caminho inverso. Pelo menos no skate norte-americano, que é de onde a gente suga tudo e onde o skate nasceu. Aqui no Brasil é meio lá e meio cá. Tem muitos profissionais que não são confederados. Tem shape com nome e tem o rolê. É tipo meio ambíguo isso, saca, tio?! "
Taba: Quais os picos mais loucos que você já andou?
Adonis: "Com certeza os picos mais irados que tive a oportunidade de andar foram em Barcelona. Atravessar o oceano e andar onde só via nos vídeos. É muito louco, isso!"
Taba: E a sessão mais marcante? 
Adonis: "Cara, foi uma que eu não andei. Foi quando os gringos estiveram aqui. Apenas pude filmar. Estar perto deles foi a realização de um sonho."
Taba: O que tu ouve no rolé? 
Adonis: "Tio, ouço de tudo. Coisas diferentes."
Taba: O skate manauara é:

Adonis: "É guerreiro. Aqui somos meio que isolados. O skate é algo que vive do intercambio físico e acaba sendo difícil para os skatistas daqui saírem para outros lugares."
Taba: O que é o skate pra você?
Adonis: "Cara, é uma forma de ver o mundo. Quem anda de skate acaba tendo uma visão mais detalhada e abrangente do todo." 

Se dividindo entre filmar e andar um pouco com os parceiros. Nollie bigspin nose pick ( 2014). Foto: Pedro Gabriel.

PONTA NEGRA E BILHARES

O lance de fazer algo mais pelo skate surgiu com Ity, Alex Borja e Adonis (com 16 anos na época) ganhando emprestado os fundos e as sobras de uma metalúrgica para começarem a fazer obstáculos para a galera andar. "Desde então começamos a fazer, mesmo sem saber. Grande Ity! Sempre incentivando e participando de todas as formas." Completa, Adonis.



De base trocada, ou seja, switch stance fs nose grind na Ponta Negra, em 2005. Foto: Blaise Pascal.

O que algumas pessoas não sabem é que a pista mais famosa de Manaus e segundo o skatista profissional  Murilo Romão, a melhor do Brasil, a da Ponta Negra (inaugurada em setembro de de 2002), foi desenhada por Adonis e foi inspirada no estilo plaza, ou seja, praça para andar de skate, que é uma tendência mundial. Adonis diz que a pista da Ponta Negra nasceu assim: "Comecei a fazer o projeto, à convite do secretario de esportes da época (Fabrício Lima) e sempre que eu fazia algo eu mostrava pros meus amigos do skate (Ulysses Boca, Antonio Manguaça, Wanderson, Adolfo Matchely, Wendell). Acho que foi por isso que deu certo. Não ficou só na mão dos arquitetos/engenheiros. Teve a consultoria de skatistas de verdade."

Outra pista bem conhecida e que passou por reforma recentemente, sob a influência e iniciativa da então Skate Salva, marca da qual era um dos sócios, o 'Bilha', assim conhecida a pista do Parque dos Bilhares,surgiu de uma ideia que não foi necessariamente de Adonis. Explica: "Eu estava no hall do elevador no Millenium e pude ver que ali seria construído algo tipo uma pista de skate. Contudo, tinha erros de angulação e outros. Fiquei preocupado e curioso. Aos olhos leigos, parecia uma pista de skate, mas para nós com certeza não era. Tive acesso à empresa que ganhou a licitação e minha opinião foi aceita por esta empresa."

 
Nose blunt no Bilha (2014) na era da Skate Salva numa cena rápida. Registrado por um dos mais novos talentos da fotografia manauara, Pedro Gabriel (PG).

OS VÍDEOS

Há muito tempo atrás, Adonis resolveu fazer vídeos das sessões dos amigos e dos parceiros que andavam pela Praça do Congresso e no Centro (Itamaracá e Porto). "Sempre tive vontade de fazer vídeo, desde a primeira vez que assisti "Skate, o esporte emoção (1987)". Aluguei inúmeras vezes."
Nessa mesma época, quando  ganhou (na verdade se apossou) sua primeira câmera do pai, Adonis começou a fazer os primeiros registros e já se arriscava em edições simples, mas com uma visão toda sua. Então, após vários vídeos simples e sem nome, surgiram  o Malako e Perfeito Submundo, que são alguns dos mais acessados.


Frame video 411, nº 64. Nose Slide.
Mesmo longe das pistas (andando), Adonis continua nas ruas constantemente coletando imagens para seu novo vídeo: 'Costume', que em breve será lançado.
Taba: O que a gente pode esperar para esse vídeo?

Adonis: "O Skateboard está aberto a tudo. Não posso me fechar para nenhuma possibilidade. Espero um vídeo que dê vontade de andar em quem assistir."
Taba: Deixe uma mensagem?
 Adonis: "Faça o que tiver vontade. Trate bem as pessoas. Saiba reconhecer os amigos. Respeite os outros. Saiba aceitar as diferenças. Consiga compreender o todo. Acho que é isso, tio."
 Taba: Valeu, tio!
Adonis: "Nós!"


Esticando alto um ss fs flip e fotografado, mais uma vez, pelo parceiro, Blaise Pascal (2004).

Segue  alguns dos vídeos mais acessados do skatista e videomaker Adonis Perfeito, se ainda não viu, dá uma conferida lá:

MALAKO:


 PERFEITO SUBMUNDO (PARTE FINAL):


COSTUME (TEASER):




terça-feira, 1 de setembro de 2015

O LONGO CAMINHO DO LONGBOARD

VIDA LONGA AO "SKATÃO"!



O skate tem suas várias possibilidades, vertentes, influências e caminhos. O longboard é com certeza um dos responsáveis diretos do crescimento do skate contemporâneo.

O downhill speed é uma das modalidades que atrai adeptos do longboard constantemente. Foto: C. de Castro.

Mais largo que um skate convencional, proporcionando uma estabilidade melhor e de mais fácil equilíbrio, o Longboard vem ganhando espaço na cidade. Mas nem tudo é facilidade. Quando o lance fica sério, controlar o skate a uma velocidade aproximada dos 60 km/h pode ser bem perigoso.

O número de praticantes só cresce, embora o valor seja bem mais alto do que as peças do street (convencional) o long tem feito a cabeça de muita gente que já descobriu que não precisa de muito para andar de skate e se sentir bem com isso e ainda poder curtir boas doses de adrenalina.


Representantes do longboard amazonense. Foto: C. de Castro.

MANAUS DE MUITOS CAMINHOS E RUAS

Em Manaus o movimento do long começou recentemente, após o domínio quase que absoluto da modalidade "street", por décadas, os manauaras descobriram que existe um caminho "suave" para quem não quer ou não simpatiza muito com o estilo agressivo do street: O longboard.
Com pranchas (shapes/decks) maiores, bem como rodas e trucks (eixos). O long vem ganhando lugar no gosto daqueles que sempre tiveram vontade de andar de skate mas nunca quiseram se arriscar demais com as manobras tensas nas rampas, corrimões, caixotes, etc.
O prazer de descer uma ladeira sentindo o vento no rosto, ziguezagueando a rua como quem surfa uma onda parece bem mais atraente para muita gente. Contudo, o longboard não é só isso. Não é só balanço de rede e marasmo, maninho. Existem submodalidades dentro desta modalidade.
Embora o longboard tenha quase o mesmo tempo de existência do skate comum, somente há pouco anos atrás ele começou a ser praticado por aqui.

VIVA ÀS LADEIRAS!

Não se sabe exatamente se na Califórnia ou no Havaí, mas o longboard nasceu para ser curtido nas ladeiras. Tanto é que suas principais modalidades recebem o nome de downhill Slide e downhill Speed. Ou seja, Downhill = descer montes, montanhas; ladeiras. Slides = escorregar, deslizar, derrapar e Speed = velocidade.
Em Manaus, essas duas modalidades estão em pleno crescimento. Prova disso é que o atleta da Workshop e Boardrider, Romulo Cardoso esteve representando Manaus em eventos no Sudeste, chegando a alcançar o 2º lugar em um evento em Catanduva-SP.
Boa parte dos longriders migraram do street. Com Romulo Cardoso Não foi diferente. Ele começou a andar de skate aos 12 anos. Hoje com 27, afirma que há três anos atrás estava a procura de um rolé mais suave - coisa que o street não satisfazia. "Comprei um long de speed pra andar somente aos fins de semana. Fiquei mais ou menos um ano andando no speed e logo deu vontade de aprender uns slides. Montei outro long com um shape de 40 polegadas e rodas mais duras. Esse tem sido meu set up desde então".
Romulo Cardoso que após curtir o street, preferiu ir para longboard e hoje faz uma mistura de estilos com skate de long. Foto: Facebook.

Romulo também já correu em outros eventos como o Circuito de Cultura Urbana, ficando em 1º lugar em 2013 e 2014 e neste ano também correu as duas primeiras etapas do Circuito Amazonense de Longboard (1º lugar). Contudo, lembra que o primeiro campeonato que correu foi em Bragança, no Pará, onde ficou 9º lugar.

Romulo com Sidney Andrade no Circuito de Cultura Urbana. Foto: Internet.


DO INÍCIO

O paulista Eduardo Ferreira Pinto, 49 anos, já surfou por 25 anos e há 11 veio transferido para Manaus. Anda de Long há oito anos e lembra que no começo do movimento a moçada andava nas pistas, mesmo. Apenas remando e tal. Depois disso, uma parte dos Old School do street resolveu adquirir um long e fazer uns rolés no Alphavile (condomínio que fica próximo ao Ponta Negra Skate Park). "Todo fim de semana era um lance muito família. Filhos, amigos, picnic e skate. O grupo cresceu e começamos a procurar outros lugares. Foi quando descobrimos a ladeira que liga à Avenida das Torres, Vila Suiça, e outras."

REDES SOCIAIS

As redes sociais têm contribuindo muito para o crescimento do longboard e um dos exemplos disso é o caso do designer Sidney Gonçalves de Andrade, 40 anos, 26 de skate. Sidney Andrade também começou no street e acabou migrando para o long. "Cara, meu primeiro skate ganhei da minha mãe. Foi comprado no 'Sukatão'. Com o tempo, evolui e ganhei outro melhor e depois nunca mais parei."
Sidney participou no último circuito de longboard como jurado do evento. Conta também que por meio das redes sociais pôde se inteirar do que rola no cenário do long em outros lugares, especificamente, Boa Vista. "Eu conheci os caras pelas redes sociais e pintou o convite. Consegui o dinheiro e fui lá ver qual era. Conheci muita gente do bem lá. O nível tá crescendo lá e foi uma experiência muito válida." Através das redes é que acontecem as trocas de experiências, as divulgações de eventos, trocas de informações sobre preços e materiais, produtos, etc. alega Sidney.


Eduardo em segundo, visualizando para tentar uma ultrapassagem (1º Circuito Amazonense de Longboard). Foto: C. de Castro.

 

Sidney Andrade executando manobra de downhill slide.

 

OS GRUPOS E O APOIO

Além das empresas que apoiam diretamente o esporte, existem grupos que se reúnem para andar e representar o esporte da melhor forma possível. Destacamos aqui o Longbrothers Manaus e Longsisters. Existem empresas apoiam o long amazônico: Workshop e Bordrider, bem como a Zeronovedois, que lança decks/shapes com madeira regional e uma ideia original.

Feitos com madeira local, os decks da Zeronovedois inovam no estilo. Foto: Divulgação.


O TOQUE FEMININO

Envolvida com todos os grupos e tratando da parte divulgação/produção (isso mesmo, riders são bem organizados) de todas as etapas do Circuito Amazonense de Longboard, a Videoeditora Cris Silva, 34 anos, além de trabalhar em um veículo comunicação na área de TV, ela também auxilia na divulgação dos eventos e todas as informações relacionadas (estatísticas e colocação dos competidores).
Cris começou andar de long em 2012, movida pela vontade de praticar um esporte que não fosse necessário ir para alguma academia. "Acho esse lance de academia muito estático. Não é da minha natureza."

Ela encontrou no skate muito mais do que um simples esporte. Cris Silva é, sem dúvidas, a mulher do longboard manauara.


Com certeza o skate é um esporte apaixonante que te leva para além das quatro paredes. Muita das vezes, o contato com a natureza faz toda diferença, pois em alguns casos, o long é praticado em lugares pouco habitados e com pouco trânsito de veículos, como é o caso do loteamento Vila Suiça, que é um dos picos mais frequentados por riders manauaras. Até por uma questão de segurança.
Destaca-se ainda, que quem começa apenas no estilo cruiser (descendo a ladeira e curtindo a vibe), acaba indo para downhill slide ou downhill speed. "Eu pratico downhill slide. Quando comecei a andar era só pelo condicionamento e relaxamento. Depois de um ano praticando slide, corri dois campeonatos, até agora." Completa, Cris.

Elas também têm chegado em grande número no long. Nas ladeiras de Manaus estão sempre presentes
Assim como Cris Silva, várias meninas aderiram ao esporte e se deixaram conquistar pela liberdade dos movimentos que ele traz. O long traz consigo uma vasta gama de possibilidades de manobras e estilos. Quem achar que downhill, tanto speed como slide podem ser muito puxados, lembremos que o freestyle, freeride ou walk the plank trazem um sentido todo surf para o longboard.
Se for começar agora, a configuração do seu long deverá ser de acordo com o tipo rolé que você quer dar. A escolha do tamanho e formato da prancha também devem ser de acordo com seu tamanho e peso. O que importa é que você se divirta.
Walk the plank, Dancing, Freestyle, Freeride, variações de um mesmo tema que as riders manauenses não ficam de fora.




 

OS PICOS

Os nossos entrevistados indicaram os seus melhores picos para dar aquele rolé. "Quem quiser conhecer é só chegar com a moçada. Todo mundo está apto pra ensinar alguma coisa. Ajudar de alguma forma." Argumentou Sidney Andrade.

Alphaville - Ponta Negra
Vila Suiça - Tarumã
Porto do São Raimundo
Rua Miranda Leão - Centro


Foto capturada pelas lentes de C. de Castro em um dos picos mais belos da cidade. Porto do São Raimundo.



SALVE FAMÍLIA, LONGBOARD!
SKATE FOR FUN!