quarta-feira, 5 de agosto de 2015

LINHA DE FRENTE - AS MARCAS DE MANAUS

LINHA DE FRENTE

Em tempos que o skate ganha novos adeptos, surgem novos picos e o esporte se torna mais conhecido e é visto de maneira mais agradável pela sociedade, marcas originalmente manauaras vem pra somar e disputar o mercado.

 

 Nunca se viveu em Manaus um momento tão propício para se investir no skate. Tanto para quem deseja começar a andar ou para quem procura ganhar dinheiro com o esporte.

Em tempos de crises econômicas pelo mundo, no Brasil e na nossa cidade, alguns visionários resolveram apostar nesse mercado que mesmo em meio a tudo isso, só cresce. Alguns deles tiveram a simples vontade de passar para os outros (especialmente os novatos) aquilo que não tiveram quando começaram.


Com o valor um pouco alto das peças nacionais e importadas, alguns skatistas optam por comprar peças de segunda mão para não pararem de andar de skate. Pensando nisso, alguns skatistas tornaram-se empresários com o intuito de trazer coisas de qualidade por um preço mais acessível.



EM 98 FOI LANÇADA A PRIMEIRA MARCA ORIGINALMENTE MANAUARA. A URBANUS.

A história do Urbanus começa quando Erick Dammon e Orlando (Speed Machine) resolveram ir além da arte do grafite de paredes e muros. A ideia começou em grafitar camisas e agradou de cara a muitos. "A Urbanus ficou bem conhecida no meio underground. O congresso foi o berço do Urbanus." Ressalta Dammon que é o responsável pela marca e que segundo ele,  já chegou a vender 800 camisetas por mês. Ultrapassando a venda de outros produtos nacionais que eram comercializados aqui.

Dammon deu continuidade ao projeto e iniciou a comercialização de shapes que são produzidos em outro estado, mas sob a marca Urbanus e afima: "Na verdade, ninguém produz shape aqui em Manaus ou no Amazonas. Os únicos que eu sei que já fizeram isso foi o Ney Metal há anos atrás quando conseguiu uma prensa e o Leo Pakalolo com a Phoenix Board. Houve um outro cara em Maués, mas não sei se prosperou."
Erick Dammon, artista plástico, músico, skatista, empresário, fotógrafo e acadêmico de artes da UFAM.



A Urbanus se renovou em muita coisa, mas a ótica de artista de Erick Dammon continua a mesma.

 "Começamos a produção e venda de shapes em 2004. Depois disso eu tive uns problemas pessoas e tivemos uma pausa nos trabalhos e voltamos com mais força. Hoje a Urbanus deu cria e a cria é a Zoo mostrando um grafismo que remete à selva de pedras que é a cidade; habitat natural do skate. É a rua. É nós."







Maple canadense é uma aposta diferente da Urbanus e da Zoo.



Como todas as outras marcas de Manaus, a fabricação é feita no Sul do país.

A equipe de skatistas é formada por Bruno (Tu Pac) Rafael, Marcelo Ipanema, Adriano Barros Cole e outros.
Equipe Urbanus/Zoo na função pelas ruas do Centro Histórico.



3R - A RATARIA DESENROLADA

Antiga formação da equipe SRV com a maioria dos membros da 3R. Logo depois Tarcio Viana ficaria com a SRV e a 3R começaria a comercializar shapes.


3R é uma das marcas mais underground de hoje, a começar pelo significado da sigla: Ratos no Rolo Rápido. Teve como idealizador André Laranja. "Começou em 2010. A gente era uma crew de skate, rap, pixação e grafite. Depois fizemos camisas, apoiamos eventos e incentivamos as batalhas de rima. Em seguida, rolou o lance dos shapes (em 2014)."

De fato a 3R são os ratos de pista. As pistas mais frequentadas têm sempre a presença da crew que é formada por 25 pessoas, entre elas, Junior Embaça, Allison, Moisés Chavez, Irailson, André Laranja e Thalia Tavares. Nem sempre se vê todos em uma única pista, mas estão sempre espalhados pela cidade do Morro na  Zona Sul ao Viver Melhor na Barreira.

A 3R também oferece qualidade e durabilidade com materiais de marfim e fibra de vidro e maple canadense. Além de grafismos direto na madeira.


Com um suporte total da Síntese Skate Shop, os planos da 3R agora é sair com uma linha de trucks. Lembrando que a 3R e Síntese Skate Shop têm apoiado vários eventos e suporte físico para pistas como da Ponta Negra e do Morro.




SKATE, RAP E OUTRA MARCA

Tarcio Viana é responsável pela marca e um dos melhores skatistas de Manaus. Uma espécie de P-Rod Baré, além de ótimo fotografo e videomaker. (Foto: Pedro Gabriel)
 Antes de surgir a 3R, Alison da Síntese Skate Shop e Tarcio Viana se juntaram num projeto que se chamava "Skate, Rap e Vandalismo", a SRV. A marca foi lançada em 2014, contudo, a sociedade teve que ser desfeita e Tarcio assumiu a marca, mudando apenas o nome de Skate Rap e Vandalismo para Skate Rap e Vida. "Houve uma mudança de vida. Uma mudança na minha vida quando eu me voltei para Cristo. Achei por bem a substituir a palavra vandalismo por vida, embora a sociedade veja o skate como vandalismo por causa do uso das calçadas, bancos, etc.  Disse Tarcio.

Além da mudança no nome, a SRV teve mudanças no grafismo.

 A marca tem sido bem aceita por skatistas da capital e de outros municípios onde o skate já chegou, oferecendo shapes com fibra de vidro em marfim e maple.
A crew é formada por ele (Tarcio), Pedro Gabriel (PG), Osmar Castro e David Batista.

Equipe atual que forma a crew da SRV que tem Pedro Gabriel (de vermelho) que também é um excelente fotografo e videomaker, juntamente com Tarcio Viana (de azul).


Tarcio alega que a visão é muito mais do que vender produto: "A nossa ideia é fazer com que o skate do norte venha a progredir. Não permitir que ele continue nesse atraso, usando as filmagens mostrando a cena livre (sem panelas) para divulgar o que rola aqui."


CENA RÁPIDA

Marcelo KB é skatista, empresário e videomaker. Cena rápida sempre.

 

Pode crer! Cena rápida é a frase que já é cara de um dos skatistas mais conhecidos aqui e fora de Manaus, Marcelo Fernandes (Cabeça) é nome da sua marca de shapes.
Com grafismos simples e preço bom, Marcelo Cabeça tem sua própria loja onda vende os seus seus produtos e outros ainda. A KB Skate Company, bem como faz vídeos com nome de KB Filmes.

 
Grafismos simples, desenho modesto e preço justo.


Mais detalhes sobre a marca não puderam ser passados, pois até término desta reportagem não recebemos o retorno do nosso ilustre Marcelo Fernandes. Cena rápida, realmente!


  UM OUTRO CAMINHO

Com ótimos vídeos e atletas de ponta, além de uma equipe de videomakers e fotógrafos da melhor qualidade, nasceu a ULYCK 86. A marca que ainda se encontra em mudanças e em plena ascendência vem fazendo um caminho diferente das outras marcas.
Sob a direção de Ulysses Athayde, a ULYCK 86 segue sua linha ganhando terreno e a freguesia que conhece e acredita na crew que a representa.
 
Ao centro (de vermelho) Ulysses Boca o idealizador da marca..


Sendo a equipe formada Antonio Cardoso (Manguaça), Ulysses Athayde (Boca), Maikon Quaresma (Baraka), Raphael Senna (Camarão), Tiago Rick (Gugu), Jó Gomes e Wesley Soares e Matheus Carvalho, eles seguem tocando o projeto e querendo mais.



Shapes em madeira marfim com boa qualidade e bom preço.


A ULYCK 86 promete novidades, como roupas e outros itens a serem lançados. Enquanto isso a marca segue com a crew fazendo suas sessões pelos diversos picos de Manaus.
Sessão no mais novo pico da cidade. Viver Melhor. Muita gente parou pra ver.

A ESCOLHA É SUA

Grafismos, ideologias, materiais, fabricação e preços diferentes. Agora você já conhece as marcas originalmente manauaras. Querendo apoiar, economizar e fortalecer a cena do skate local é só escolher uma delas e correr pra rua. Lembrando que nenhuma delas é fabricada aqui. Por várias questões. Uma delas é o tipo de madeira que não é cultivada aqui e outra é que não existe realmente fábricas aqui no Amazonas. Talvez, isso mude um dia. Enquanto isso, vamos remando de switch em direção ao gap das crises.

8 comentários:

  1. uma pequena correção... os preços dessas marcas regionais não são mais acessíveis do que as demais marcas nacionais, são iguais aos preços dessas outras marcas nacionais. uma madeira regional custa de 90 a 120 reais, dependendo da qualidade e se vem com a lixa, ou não; que é o mesmo preço das demais madeiras nacionais.

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  2. O preço de uma das madeiras que nos foi passado foi de 80 a 90 reais (marfim) e 100 a 120 reais o maple. Mas entre apoiar uma marca de fora e uma regional, a escolha é sua (nossa). Até porque o material e a fabricação são iguais com algumas marcas nacionais, mas quem quiser/puder andar de marca gringa é outra história.
    Grato pela participação, parceiro!

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  3. O preço que eu falei está correto - marcas regionais nao vendem shapes mais baratos do que marcas nacionais não-regionais. Entre 100 e 120 reais.

    As marcas (regionais, ou nacionais) não precisam do nosso (skatistas) apoio, pois praticam margens de lucros superiores a 100%. E isso não é fortalecer a cena local, mas é fortalecer a si mesmo, através deste lucro descabido.

    Sobre a qualidade - Você tem o exemplo de shapes da Woodlight, que são fiber-glass e aguentam um carro passando por cima deles, sem se quebrar e pelo mesmo preço dos demais shapes regionais de mesma qualidade, mas que nunca vi aguentarem tanto peso...

    Nada, eu que agradeço pelo espaço e poder mostrar um pouco da minha experiência ao longo desses 14 anos que ando de skate na nossa querida cidade de Manaus!

    Disponha! ;)

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  4. A única vez que andei com shape gringo, foi quando eu comprei um DGK do mano Tiago Itsuo, que me custou 120 mangos. Um shape gringo na loja está custando 250 reais, a única peça gringa do meu carrinho há anos é o rolamento, redbones, pois os nacionais são mt ruins, inferiores em qualidade, estourando em cerca de 2 meses de uso. Portanto uso peças nacionais, dentre as quais procuro escolher as de melhor qualidade, já que todas têm o mesmo preço, que é o preço mais alto que elas podem praticar. Quando escolho uma marca local é pra testar a qualidade e ver se rola mesmo, ou pra retribuir em agradecimento os eventos que a mesma, ou a pessoa por trás desta marca já promoveu... como acontece hj com a Síntese Skate Shop.


    Aqui ainda gostaria de deixar um pensamento:
    Os preços são ditos pelo equilíbrio entre oferta e demanda; empresários ofertam produtos ao mais alto preço que podem, para obter mais lucro, logicamente; do outro lado, os consumidores compra o que podem, ou o que querem. Se os preços estão muito altos, procure outra alternativa para adquirir o produto, seja comprando pela internet, seja comprando outro produto de maior qualidade, com o mesmo preço, ou alguma outra alternativa... pois este boicote obriga os empresários a reduzirem seus preços!

    abraaaaço!

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